Às vezes me sinto música
Fluida, intensa, ressonante,
que envolve, abraça, espalha-se pelo ambiente,
faz fechar os olhos, abrir os braços e elevar o queixo para o céu como se dele recebesse algo divino
Que faz o corpo rodopiar,
que faz projetar-se ao mesmo tempo em outro e naquele mesmo lugar
Que faz a ponte entre aquele instante e algo distante,
entre a dor e a vontade de se curar
entre a lembrança e a vontade de esquecer.
Às vezes me sinto a música que você emite de seus dedos
E me mesclo no éter com ela
Eu e ela, nós duas entrelaçadas em um pacto secreto
tentando trazer para bailar junto a nós os seus pensamentos.
Às vezes me sinto tal música
que catarseia e regenera.
Mas não sei se você pode me ouvir.