Despertar
Ela se informou
E da fôrma, ela se desenformou
Procurou outras formas, e nenhuma cabia em fôrmas
E assim, outra vida formou-se
Tornou-se amorfa
Livre.
Entre as Linhas Minhas
Rascunhos, recortes, reflexões e afins.
sábado, 6 de janeiro de 2018
Densa, mas me faço etérea
Diluo-me nas entranhas deste cosmos
Desfaço-me em cada partícula de sonho
Amalgamo-me em cada alma
Sou tantas, sou várias, sou única
Sou aquilo que me precede e que me antecede
Sou o outro que me feriu e minha própria cura
E sou aquilo que tudo isso entremeia e permeia.
Um dia retornarei para o lugar de onde me originei
E um dia me originarei onde me desfiz
E de etérea, serei densa
Poeira estelar que vingou para realizar seus próprios sonhos
De alma, serei um corpo individual
Mas seguirei sendo aquilo que passou e o que está por vir
Meu próprio inferno e salvação.
Diluo-me nas entranhas deste cosmos
Desfaço-me em cada partícula de sonho
Amalgamo-me em cada alma
Sou tantas, sou várias, sou única
Sou aquilo que me precede e que me antecede
Sou o outro que me feriu e minha própria cura
E sou aquilo que tudo isso entremeia e permeia.
Um dia retornarei para o lugar de onde me originei
E um dia me originarei onde me desfiz
E de etérea, serei densa
Poeira estelar que vingou para realizar seus próprios sonhos
De alma, serei um corpo individual
Mas seguirei sendo aquilo que passou e o que está por vir
Meu próprio inferno e salvação.
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Às vezes me sinto música
Fluida, intensa, ressonante,
que envolve, abraça, espalha-se pelo ambiente,
faz fechar os olhos, abrir os braços e elevar o queixo para o céu como se dele recebesse algo divino
Que faz o corpo rodopiar,
que faz projetar-se ao mesmo tempo em outro e naquele mesmo lugar
Que faz a ponte entre aquele instante e algo distante,
entre a dor e a vontade de se curar
entre a lembrança e a vontade de esquecer.
Às vezes me sinto a música que você emite de seus dedos
E me mesclo no éter com ela
Eu e ela, nós duas entrelaçadas em um pacto secreto
tentando trazer para bailar junto a nós os seus pensamentos.
Às vezes me sinto tal música
que catarseia e regenera.
Mas não sei se você pode me ouvir.
Fluida, intensa, ressonante,
que envolve, abraça, espalha-se pelo ambiente,
faz fechar os olhos, abrir os braços e elevar o queixo para o céu como se dele recebesse algo divino
Que faz o corpo rodopiar,
que faz projetar-se ao mesmo tempo em outro e naquele mesmo lugar
Que faz a ponte entre aquele instante e algo distante,
entre a dor e a vontade de se curar
entre a lembrança e a vontade de esquecer.
Às vezes me sinto a música que você emite de seus dedos
E me mesclo no éter com ela
Eu e ela, nós duas entrelaçadas em um pacto secreto
tentando trazer para bailar junto a nós os seus pensamentos.
Às vezes me sinto tal música
que catarseia e regenera.
Mas não sei se você pode me ouvir.
sexta-feira, 26 de maio de 2017
Os muros que nos separam, que selam o pacto velado de nossa desigualdade, de nossa inacessibilidade, de nosso medo.
Os muros que desabam à força, levando consigo aqueles que nos desagradam, sufocando suas vozes já tão fracas. Vozes daqueles contra os quais construímos nossos muros.
De um de seus lados, o muro protege quem ali está, isola-o das inconveniências do mundo lá fora; do outro oprime, afronta, segrega e demarca seu território de dominação.
O vigiado Muro de Berlim, os imponentes muros dos Jardins.... e o muro tão frágil da Cracolândia.
Os muros que desabam à força, levando consigo aqueles que nos desagradam, sufocando suas vozes já tão fracas. Vozes daqueles contra os quais construímos nossos muros.
De um de seus lados, o muro protege quem ali está, isola-o das inconveniências do mundo lá fora; do outro oprime, afronta, segrega e demarca seu território de dominação.
O vigiado Muro de Berlim, os imponentes muros dos Jardins.... e o muro tão frágil da Cracolândia.
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Vejo a política assim como vejo a matemática: não importa se gostamos ou não delas, elas são parte intrínseca de nossas vidas. Não há como negá-las ou fugir delas. Estão em tudo, regem cada passo, cada movimento, cada decisão que tomamos sobre nós mesmos e sobre os outros, em todas as partes do planeta. Então a saída é enfrentar. Interessar-se por política não significa necessariamente levantar bandeiras partidárias, mas tentar entender os fenômenos que ocorrem em nossas vidas em sociedade e ter sua própria opinião sobre os fatos. Não se trata de gosto, e sim de necessidade. Você pode odiar matemática, por exemplo, mas precisa ao menos dos conhecimentos básicos pra poder sobreviver nesse mundo, e assim é com a política. Quando optamos por ignorá-las, estamos transferindo ao outro o poder de decisão sobre nossas próprias vidas.
Talvez esse tenha sido um dos grandes equívocos de muitos brasileiros: achar que política não se discute, que é assunto tedioso...
Espero que o dia de hoje sirva para refletirmos um pouco mais sobre nosso interesse e envolvimento com a política.
Boa sorte!
Talvez esse tenha sido um dos grandes equívocos de muitos brasileiros: achar que política não se discute, que é assunto tedioso...
Espero que o dia de hoje sirva para refletirmos um pouco mais sobre nosso interesse e envolvimento com a política.
Boa sorte!
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Achava que escrever era coisa dos sabidos.
Sempre fui meio acanhada por conta disso. Nunca botei muita fé nos meus textos. Achava-os meio tolos, banais, sem muito potencial para ser ou agregar algo de valor. Achava que minha experiência ou repertório literário eram limitados e não bastavam para produzir algo significativo que valesse a pena botar no papel, ser lido pelos outros. Não sabia nem mesmo qual forma dar a meus textos, como expressá-los. Na maioria das vezes, eram fragmentos de um diálogo ou monólogo, cenas na minha cabeça, reflexões avulsas. E claro, sem falar no julgamento alheio...Ah como esse diabo é danado!
Mas... aí me dei conta de que para escrever é preciso.... escrever! Que talvez muitas das obras que tanto gostamos tenham começado justamente assim, singelas, despretensiosas, algumas até mesmo sem forma fixa ou pontuação de acordo com a "cultuada" norma culta. Que talvez muitos desses autores também não sabiam direito aonde aquele texto iria chegar. Estavam apenas indo pela estrada... até que chegaram ali, no destino final da derradeira palavra que compunha seu texto.
E que acima de tudo, escrever não é necessariamente sobre agradar, mas é sobre (e sobretudo) se expressar. E é aí mesmo que jaz a beleza do ato. E quem determina o valor disso, da nossa própria expressão, não é ninguém mais senão quem veste a nossa pele, sente as nossas dores e os nossos prazeres, sonha nossos sonhos, chora nossas lágrimas, ou seja: nós mesmos.
E assim, me veio a constatação mais libertadora de todas sobre a escrita: somos o dono da nossa expressão, então pode-se tudo!
Agradecimento especial a Denise Castro por incentivar com tanto carinho essa "loucura" nas pessoas.
Sempre fui meio acanhada por conta disso. Nunca botei muita fé nos meus textos. Achava-os meio tolos, banais, sem muito potencial para ser ou agregar algo de valor. Achava que minha experiência ou repertório literário eram limitados e não bastavam para produzir algo significativo que valesse a pena botar no papel, ser lido pelos outros. Não sabia nem mesmo qual forma dar a meus textos, como expressá-los. Na maioria das vezes, eram fragmentos de um diálogo ou monólogo, cenas na minha cabeça, reflexões avulsas. E claro, sem falar no julgamento alheio...Ah como esse diabo é danado!
Mas... aí me dei conta de que para escrever é preciso.... escrever! Que talvez muitas das obras que tanto gostamos tenham começado justamente assim, singelas, despretensiosas, algumas até mesmo sem forma fixa ou pontuação de acordo com a "cultuada" norma culta. Que talvez muitos desses autores também não sabiam direito aonde aquele texto iria chegar. Estavam apenas indo pela estrada... até que chegaram ali, no destino final da derradeira palavra que compunha seu texto.
E que acima de tudo, escrever não é necessariamente sobre agradar, mas é sobre (e sobretudo) se expressar. E é aí mesmo que jaz a beleza do ato. E quem determina o valor disso, da nossa própria expressão, não é ninguém mais senão quem veste a nossa pele, sente as nossas dores e os nossos prazeres, sonha nossos sonhos, chora nossas lágrimas, ou seja: nós mesmos.
E assim, me veio a constatação mais libertadora de todas sobre a escrita: somos o dono da nossa expressão, então pode-se tudo!
Agradecimento especial a Denise Castro por incentivar com tanto carinho essa "loucura" nas pessoas.
domingo, 16 de abril de 2017
Domingo de Páscoa.
Uma rede de internet café em uma rua do centro da cidade.
Um país da Europa, economia forte, idioma difícil.
Em uma mesa, um grupo de pessoas fala o idioma local. Na outra, o grupo de amigas fala o idioma do país vizinho. Países que já brigaram muito entre si.
Um casal entra. Outro casal entra com o filho pequeno.
Do lado de trás do balcão, um rapaz trabalha sozinho. Olhos puxados, fala bem o idioma local, mas com sotaque. Nota-se que ele não nasceu ali.
Ele limpa, prepara as bebidas, cuida do caixa e atende sozinho os turistas, os moradores, os habitantes dos países vizinhos e todos os demais que podem dar-se ao luxo de ter um domingo de Páscoa para aproveitar como quiserem.
Feliz Páscoa.
Uma rede de internet café em uma rua do centro da cidade.
Um país da Europa, economia forte, idioma difícil.
Em uma mesa, um grupo de pessoas fala o idioma local. Na outra, o grupo de amigas fala o idioma do país vizinho. Países que já brigaram muito entre si.
Um casal entra. Outro casal entra com o filho pequeno.
Do lado de trás do balcão, um rapaz trabalha sozinho. Olhos puxados, fala bem o idioma local, mas com sotaque. Nota-se que ele não nasceu ali.
Ele limpa, prepara as bebidas, cuida do caixa e atende sozinho os turistas, os moradores, os habitantes dos países vizinhos e todos os demais que podem dar-se ao luxo de ter um domingo de Páscoa para aproveitar como quiserem.
Feliz Páscoa.
Assinar:
Postagens (Atom)