sexta-feira, 12 de maio de 2017

Achava que escrever era coisa dos sabidos.
Sempre fui meio acanhada por conta disso. Nunca botei muita fé nos meus textos. Achava-os meio tolos, banais, sem muito potencial para ser ou agregar algo de valor. Achava que minha experiência ou repertório literário eram limitados e não bastavam para produzir algo significativo que valesse a pena botar no papel, ser lido pelos outros. Não sabia nem mesmo qual forma dar a meus textos, como expressá-los. Na maioria das vezes, eram fragmentos de um diálogo ou monólogo, cenas na minha cabeça, reflexões avulsas. E claro, sem falar no julgamento alheio...Ah como esse diabo é danado!
Mas... aí me dei conta de que para escrever é preciso.... escrever! Que talvez muitas das obras que tanto gostamos tenham começado justamente assim, singelas, despretensiosas, algumas até mesmo sem forma fixa ou pontuação de acordo com a "cultuada" norma culta. Que talvez muitos desses autores também não sabiam direito aonde aquele texto iria chegar. Estavam apenas indo pela estrada... até que chegaram ali, no destino final da derradeira palavra que compunha seu texto.
E que acima de tudo, escrever não é necessariamente sobre agradar, mas é sobre (e sobretudo) se expressar. E é aí mesmo que jaz a beleza do ato. E quem determina o valor disso, da nossa própria expressão, não é ninguém mais senão quem veste a nossa pele, sente as nossas dores e os nossos prazeres, sonha nossos sonhos, chora nossas lágrimas, ou seja: nós mesmos.
E assim, me veio a constatação mais libertadora de todas sobre a escrita: somos o dono da nossa expressão, então pode-se tudo!


Agradecimento especial a Denise Castro por incentivar com tanto carinho essa "loucura" nas pessoas.

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